Neri na prisão

Fevereiro 22, 2007

sem-titulo.jpg

O movediço e talentoso avançado d’Os Torpedos, anteriormente conhecidos como VANPLMD, foi na noite de ontem apreendido em Viana do Castelo. As autoridades locais revelam que o jogador foi preso por desacatos num bar. Ao  que tudo indica, Neri terá agredido um cliente do estabelecimento com rko’s sucessivos. Advogado do jogador pretende culpar a influência do Wrestling no estado do seu cliente.

Passavam pouco das duas da manhã quando a GNR foi chamada ao “Box Café” em Viana do Castelo. As autoridades chegaram com a missão de interromper os desacatos provados por João Santos, mais conhecido como Neri, jogador da multi-condecorada equipa “Os Torpedos”.

O jogador, a gozar um período de férias, terá sido visto a espancar um cliente do bar após a visualização de mais um episódio da saga “Monday Night Raw”, emitida pela Sic Radical. Neri terá partido para a violência quando o seu conterrâneo classificou o herói de Neri, Randy Orton, como um “maricas de cuecas”.

A este desabafo, o possante atleta respondeu com dois socos e rko’s ininterruptos – até
à chegada da polícia – trinta minutos depois.

O jogador não quis prestar declarações, mas o seu advogado adiantou que a sua estratégia passará pela culpabilização do wrestling e das consequências nefastas para o sistema neurológico provocado por uma constante visualização. As culpas serão dirigidas à Sic Radical e à própria WWE.


O Terrível Mistério do nº52 da Rua António Marinho, parte XII

Fevereiro 21, 2007

“Vim aqui para lhe dizer quais são as suas hipóteses. Ou fica cá e promete segredo para sempre, ou foge para qualquer lado. Se algum dia contar alguma coisa, será morto. Nós encontramo-lo em qualquer lado.”
Eu ainda não conseguia perceber muito bem o que se passara. De um momento para o outro, descobri que todos os meus vizinhos eram uns assassinos e que eu tinha de fugir para continuar vivo. Mas, e a chave? Porquê a importância da chave?

“Bom, para mim isso não era importante. O cofre não tinha nada de valioso para mim. A Elsa e os do 1º andar é que queriam muito o cofre. Todos sabíamos que a Sandra sabia da chave, mas não há nada que um homem não me diga ao fim de algum tempo. E, bastou pouco tempo com o Miguel para ele me dizer onde estava o mapa e a chave. Mas também sabíamos que os polícias estavam ao corrente de tudo, eram amigos dele. Sabiam do testamento, das contas, do anel e do documento. Então, começamos um boato. Que a Elsa andava a dormir consigo, e que você sabia da chave. Por isso eles apertaram consigo naquele dia. A Elsa confirmou mesmo ter um caso consigo. Também dissemos que a Sandra andava com o Fred e com o Miguel ao mesmo tempo. Por isso, quando a viram consigo começaram a desconfiar ainda mais. Porque acha que a Elsa veio falar consigo hoje? Foi para eles a verem entrar aqui.”

Estava sem palavras. O mistério da morte do meu vizinho, perpetrado pelos meus outros vizinhos estava explicado. Era um plano diabólico, mas frio e eficaz. Mataram quem quiseram matar, roubaram quem quiseram roubar e colocaram-me numa situação delicada. Mas, será que a motivação da Rome era mesmo para eliminar alguém que olhava muito para ela? “Eu sei que os homens me desejam. Eu sei que os homens querem dormir comigo. E sei dar prazer aos homens. Mas o Miguel era diferente. Ele tinha o mesmo efeito sobre as mulheres, e nós éramos muito parecidos. Demais… Tive a minha recompensa por ter participado neste caso, não o nego, mas uma parte da minha motivação era pessoal. Se fosse para matar aqueles que me desejam, você já tinha morrido há muito. Desde que se mudou para cá…”

Foi nessa altura que ela se levantou. Segredou-me que tinha 1 semana para me decidir: ou ficava, calado; ou partia, calado. Deu-me um beijo, o beijo da morte, o beijo com que se selava o meu destino.


Ainda estamos vivos

Fevereiro 21, 2007

O Afrontamentos ainda não morreu. Não digo que já não esteve em melhores condições físicas, mas as cerca de 50 visitas diárias que um blog inactivo recebe levam-nos a considerar a possibilidade de manter em actividade este velhinho, mas cheio de histórias, blog de CS. Aliás, não estarei muito enganado se disser que é o blog mais antigo mantido por alunos do 3º ano de CS. Não devo estar muito enganado.

Vamos voltar em força. Continuaremos a ser um blog de confronto ideológico. Continuaremos a espantar a Nação Coxeana e demais instituições. Terminaremos a novela em curso há mais de 6 meses. Daremos mais vitalidade ao blog. Ou então não.

Já agora, passem por aqui.


Requinte é Classe

Janeiro 12, 2007

floribella.jpg

 

A redacção do Afrontamentos tentou resistir-lhe mas não conseguiu. Simplesmente tivemos de sucumbir perante a opinião pública, qual espiral do silêncio!

Na realidade, aquilo que mais nos espantou foi a contínua adesão do público – de todas as idades, credos e cores – a esta tripeirinha de gema.

Ora, o fenómeno “Floribella” – sim, é da Floribella que falo – liderou as tabelas de venda de música em Portugal, com a edição do seu álbum, “Floribella”, em meados do passado e saudoso ano de 2006. Essa liderança foi de tal forma incontestável e indubitável que nem a super-banda do momento, os D’ZRT pois claro, a conseguiram desalojar do alto da cátedra da nossa indústria musical com o seu segundo álbum, “Original”.

Pois bem, tivemos de ouvir “Floribella”. Sentimo-nos coagidos pela sociedade. Sentamo-nos. Ligamos a aparelhagem. Carregamos no Play. E….. fez-se luz, ou melhor, fez-se “flor”! Fomos conquistados, e as nossas almas ficaram rendidas, à força das palavras de Luciana Abreu. De facto, há demasiado tempo que Portugal estava privado de uma tão grande expressão artística feminina. Creio mesmo que, desde o “Pisca Pisca” de Ruth Marlene que a nobre nação lusitana não assistia ao nascimento de uma tão cintilante estrela musical.

A sua voz é arrebatadora, um pouco como Mónica Sintra no seu início – o timbre e o ritmo são bastante parecidos aos da bombeira – e as músicas que canta, a maioria escrita por esse letrista de renome, Miguel Dias, são das coisas mais belas e profundas que saíram para o nosso mercado nos últimos anos.
Luciana, ou melhor, Flor e a sua banda arrebatam-nos logo aos primeiros acordes de “Tic-Tac”. A metáfora que esta música representa entre aquilo que a escassez e a diluição do tempo significam para um jovem apaixonado que luta contra todos os ardores para conseguir satisfazer a sua paixão, aquele desejo que o move e orienta pela vida. Talvez desde “Sometimes”, de Britney Spears, que a música pop não contemplava tamanha demonstração da necessidade em amar.

Mas, se “Tic-Tac” é um caso perfeito de angústia e desejo de amar, “E assim será” apresenta-nos como a manifestação da resignação pelo estado de coisas, um pouco à imagem daquilo que Paris Hilton tentou transmitir com a sua breve carreira musical. É um modelo, pouco convencional, que pretende evidenciar a apatia do espírito humano quando o seu coração é traído.

“Vestido Azul” é outro caso de tristeza e desilusão. A amostra de dor presente no verso “Mas não chegaste e sem o teu amor/o meu vestido azul perdeu a cor/e sozinha nesta rua/o tempo para mim… parou”. Como se pode depreender deste pequeno excerto, o drama pela perda do amor e da paixão causa na intérprete uma melancolia evidente pela sua perda de “cor” e pelo seu murchar perante a realidade. Na realidade, a ausência de paixão e aventura causa no solitário coração humano uma letargia imensa, personificada pela paragem no tempo. Aliás, repare-se nas vezes que a Flor usa metáforas com o tempo para representar a duração – insuportável – do seu desgosto amoroso.

Porém, apesar do aspecto melancólico que o álbum parece comportar – um pouco ao estilo da Ágata, no seu auge, claro – “Floribella” termina com a demonstração máxima de independência e emancipação. “Pobre dos Ricos” é um hino para as novas gerações, uma faixa claramente inspirada no manual socialista da igualdade e da necessidade em preservar o sentimento de afeição entre o homem, sobre as vantagens do “capital”. Claramente, “Não tenho nada, mas tenho, tenho, tudo/Sou rica em sonhos/mas pobre, pobre, em ouro/Mas não importa, pois só por ter dinheiro não compro amigos, as estrelas o amor verdadeiro”! Ora, neste trecho a cantora passa a mensagem que irá guiar toda uma nova geração de portugueses no futuro: o essencial é o afecto e a necessidade em preservar a bondade perante os homens. O dinheiro é apenas um acessório nada determinante para a condução dos destinos da humanidade. O amor e a amizade é que contam.

Por isto, e por tanto mais, “Floribella” é dos mais belos e puros álbuns da história da música portuguesa. A voz de Luciana Abreu – a nossa borboleta – e as letras de Dias prendem-nos desde a primeira à última faixa. Confessamos que estávamos algo cépticos em relação a este fenómeno da cultura pop, mas depois de o escutar uma e outra vez não pudemos deixar de ficar indiferentes à sua força e magia. De facto, Luciana leva-nos para um Mundo à parte, um Mundo paralelo e alternativo, onde o sonho e a fantasia são reis. Parabéns!

A redacção do Afrontamentos atribui ao disco “Floribella”, de “Floribella e a sua banda”, cinco estrelas afrontadas!


O Terrível Mistério do nº 52 da Rua António Marinho, parte XI

Janeiro 12, 2007

Ela não ligou e continuou, no mesmo tom e num português surpreendentemente perfeito, “acha que conhecia o Miguel Ribeiro assim tão bem? Pois fique a saber que ele era um crápula, um porco. Fazia-se a todas as mulheres que conhecia, incluindo eu. Insinuava-se de modo perturbador. Depois era uma fera nos negócios. Viu o que ele fez à pobre da mulher? Traiu-a a vida toda, e depois não a deixou ficar com absolutamente nada, a não ser um pobre Seat Ibiza. Disse em tribunal que ela havia assinado um documento em que abria mão de tudo. O juiz disse-lhe que enquanto não anulasse tal documento, não lhe poderia ajudar a recuperar o que quer que fosse. Ele era do piorio! Ninguém gostava dele cá no prédio. O Carlos Miguel e a Daniela não conseguiam perdoá-lo por ter seduzido a Daniela por altura do divórcio dela; o meu marido e eu estávamos fartos das suas insinuações e brincadeiras de mau gosto. Apenas o Fred e a Sandra gostavam dele. O brasileiro porque o Miguel era um excelente companheiro de copos; a Sandra, coitada, tão ingénua acreditava que ele ia casar com ela e fazer-lhe muito feliz.”

Rome falava de tudo isto com uma naturalidade arrepiante. Contou-me os pormenores da morte do Miguel. Puseram a música muito alta, e foram todos para o sexto andar. Entretanto, Elsa já lá estava com ele. Tinha vindo discutir um pormenor do seu divórcio. Acabaram na cama. Assim que os ingleses começavam a tocar a música, ela sabia que tinha de arranjar forma de o levar para a sala. Assim foi. Bateram à porta, ele virou-se e ela esfaqueou-o, deixando-o cair. Um por um, esfaquearam e agrediram Miguel.

Em relação ao Fred, ele desconfiou logo quando chegou ao prédio e, na eventualidade de contar à polícia, o Carlos achou mais seguro dar-lhe dois tiros, com uma arma cujo cano tinha um silenciador.

A Sandra fora a casa buscar umas coisas e vira a sua porta aberta. Entrou na sala e viu-os todos a afastar o seu móvel. Por detrás estava o cofre de Miguel. Sandra estava atónita e foi ter com eles para evitar que o pudessem abrir. Ben acabou com o seu sofrimento com um tiro a curta distância. A Elsa escreveu o bilhete. Carlos levou-a até à entrada do andar de Miguel.

Isto tudo enquanto que a Daniela se confessava a mim como sendo a mulher mais infeliz do Mundo… Eles tinham-me enganado!


Teixeira, bêbedo, apanhado em flagrante pela Polícia

Janeiro 10, 2007

clip_image0022.gif
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O guarda-redes titular da baliza Coxeana, Alberto Miguel Teixeira, foi admoestado pelas forças da autoridade de Pevidém, na madrugada de 1 de Janeiro por se ter envolvido em conflitos com outros jovens locais. O jogador, num elevado estado de embriaguez, tentou fugir à polícia mas não conseguiu. Só a pronta acção do advogado do clube evitou que o jogador pernoitasse na cadeia local.

Eram quase quatro da manhã quando as forças da autoridade foram chamadas a Selho São Jorge para resolver desacatos entre jovens locais. Um desses jovens era o proeminente guardião Coxeano, Teixeira. O jogador encontrava-se, visivelmente, debaixo do efeito do álcool, tendo o nosso jornal apurado que o valor da taxa de alcoolemia se situava perto dos 4.15 gramas por litro de sangue.

Ao que conseguimos apurar, a razão da altercação entre Teixeira e o seu conterrâneo terá o desacordo entre os dois se o vinho que tinham bebido era verde ou maduro. Teixeira acreditava que era verde. Ao reparar na chegada da polícia, o número um Coxeano ter-se-á afastado mas, no seu debilitado estado, conseguiu chegar longe e foi apanhado.

De imediato, o Presidente dos Coxos foi contactado pelas autoridades e, desde as Ilhas Caimão, mandou o advogado do clube tratar do assunto. Segundo relatos das companheiras do Presidente que o acompanharam na viagem, Vieira terá ficado irado e maldisposto com o sucedido,  contactado imediatamente o treinador, Pedro Romano, para perceber quais as alternativas para a posição e se havia alguém no mercado que interessasse ao clube. Tendo a resposta sido negativa, Phillipe Vieira terá ordenado Rui Rocha a dar início ao processo de suspensão temporária de toda a actividade desportiva ao jogador Alberto Teixeira, enquanto que o inquérito por si ordenado não estiver concluído. Depois, um corte no salário e um pedido de desculpas público serão exigidos.

Num momento em que os Coxos Futebol Clube ameaçam tornar-se num dos maiores clubes do globo, situações destas não poderão, nem serão, toleradas pela direcção da Instituição.
Não são novos os relatos de “abusos” alcoólicos do jogador Coxeano.

Contam-se outros episódios durante jantares em Braga, em que Alberto terá, já sob o efeito do álcool, assediado algumas senhoras nos restaurantes e cometido o crime de dançar de forma obtusa em pleno espaço público.

Teixeira, um dos mais queridos jogadores do clube, poderá ter colocado tudo a perder com este acto irreflectido, estando “O Afrontado” interessado em conhecer e divulgar o desenvolvimento deste caso.


O Terrível Mistério do nº 52 da Rua António Marinho, parte X

Janeiro 10, 2007

Esta é a continuação da história que foi, até este momento, relatada aqui.

Eu não acreditei na história, mas a dor pela morte de Sandra era tão forte que senti uma tentação em aceitar a explicação daqueles dois indivíduos. Desci as escadas, entrei em casa, deitei-me no sofá da sala, abri a garrafa de whisky e comecei a beber. Adormeci.

Acordei com alguém a bater furiosamente à porta. Eram Elsa e Carlos. Abri. Começaram os dois a gritar comigo pelo facto de ter contado tudo o que vira a Daniela, assim como tudo quanto Elsa me tinha contado. Pelas suas reacções percebi imediatamente que a relação deles ia muito para além dos seguros, e fiquei com pena de Daniela… assim como tinha pena de Rome, por esta se encontrar casada com um bode. Agora que já não tinha a Sandra, tinha ideias de levar estas duas mulheres comigo para muito longe. Foi aí que reparei num pormenor de Elsa. Ela estava a usar o anel que vira na mesinha de cabeceira de Miguel. Perguntei-lhe se aquele anel não pertencia a Miguel, e ela, algo embaraçada, confirmou essa situação mas, ao mesmo tempo, garantiu que tinha ficado para ela durante o divórcio. Carlos também o garantiu. Mas isso não explicava como eu o tinha visto no dia anterior no quarto de Miguel.

Assim que eles saíram,  fui à cozinha e vi os bilhetes de Rome. Liguei-lhe. Ela já sabia do que se sucedera e aceitou vir até minha casa para um “chá das cinco”. O marido tinha saído e ela estava só. Tocou à campainha. Abri a porta, e lá estava ela, mais deslumbrante do que nunca. Vestido curto, preto, com decote a mostrar o essencial – mas não tudo – e a revelar as suas belas pernas. Apesar do tempo ser de luto, não consegui resistir ao pensamento lascivo, ao desejo. Convidei-a a entrar. Ela elogiou a minha decoração. Sentou-se na poltrona da sala. Servi o chá. Ela bebeu-o e elogiou-o. Depois, contei-lhe tudo. Que a tinha visto com a chave, que a Elsa andava com o Carlos, que a Sandra não se podia ter suicidado, do ar estranho do marido. Tudo.

E, enquanto que eu lhe contava isto, ela limitava-se a engolir o chá. Gole após gole. Quando acabei, levantou-se, pegou nas minhas chaves trancou a porta e fechou também a da sala. Sentou-se de novo. Bebeu mais um gole. Ela transpirava solenidade e graciosidade nos seus movimentos, e era tão bom olhar para ela que eu não me importava de aguardar por uma resposta.

Quando acabou o chá, virou-se para mim e começou: “O que é que você diria se soubesse que tudo o que aconteceu aqui nestes últimos dias foi uma conspiração desde o início? Uma conspiração de todo o prédio?” Respondi-lhe que diria que ela era maluca.


Começar de novo

Janeiro 10, 2007

Depois de mais de 2 anos alojados ali, decidimos por melhorar e inovar a apresentação do nosso querido Afrontamentos.

Os tempos mudam, assim como as necessidades e os objectivos a concretizar com o blog. Agora, no WordPress, desejamos conquistar o apreço de novos visitantes, sem esquecer os fiéis de antigamente.

Começa assim a nova vida do Afronta, mais polémico, insurgente e inconveniente. Mas assim tem de ser!