Requinte é Classe

Janeiro 12, 2007

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A redacção do Afrontamentos tentou resistir-lhe mas não conseguiu. Simplesmente tivemos de sucumbir perante a opinião pública, qual espiral do silêncio!

Na realidade, aquilo que mais nos espantou foi a contínua adesão do público – de todas as idades, credos e cores – a esta tripeirinha de gema.

Ora, o fenómeno “Floribella” – sim, é da Floribella que falo – liderou as tabelas de venda de música em Portugal, com a edição do seu álbum, “Floribella”, em meados do passado e saudoso ano de 2006. Essa liderança foi de tal forma incontestável e indubitável que nem a super-banda do momento, os D’ZRT pois claro, a conseguiram desalojar do alto da cátedra da nossa indústria musical com o seu segundo álbum, “Original”.

Pois bem, tivemos de ouvir “Floribella”. Sentimo-nos coagidos pela sociedade. Sentamo-nos. Ligamos a aparelhagem. Carregamos no Play. E….. fez-se luz, ou melhor, fez-se “flor”! Fomos conquistados, e as nossas almas ficaram rendidas, à força das palavras de Luciana Abreu. De facto, há demasiado tempo que Portugal estava privado de uma tão grande expressão artística feminina. Creio mesmo que, desde o “Pisca Pisca” de Ruth Marlene que a nobre nação lusitana não assistia ao nascimento de uma tão cintilante estrela musical.

A sua voz é arrebatadora, um pouco como Mónica Sintra no seu início – o timbre e o ritmo são bastante parecidos aos da bombeira – e as músicas que canta, a maioria escrita por esse letrista de renome, Miguel Dias, são das coisas mais belas e profundas que saíram para o nosso mercado nos últimos anos.
Luciana, ou melhor, Flor e a sua banda arrebatam-nos logo aos primeiros acordes de “Tic-Tac”. A metáfora que esta música representa entre aquilo que a escassez e a diluição do tempo significam para um jovem apaixonado que luta contra todos os ardores para conseguir satisfazer a sua paixão, aquele desejo que o move e orienta pela vida. Talvez desde “Sometimes”, de Britney Spears, que a música pop não contemplava tamanha demonstração da necessidade em amar.

Mas, se “Tic-Tac” é um caso perfeito de angústia e desejo de amar, “E assim será” apresenta-nos como a manifestação da resignação pelo estado de coisas, um pouco à imagem daquilo que Paris Hilton tentou transmitir com a sua breve carreira musical. É um modelo, pouco convencional, que pretende evidenciar a apatia do espírito humano quando o seu coração é traído.

“Vestido Azul” é outro caso de tristeza e desilusão. A amostra de dor presente no verso “Mas não chegaste e sem o teu amor/o meu vestido azul perdeu a cor/e sozinha nesta rua/o tempo para mim… parou”. Como se pode depreender deste pequeno excerto, o drama pela perda do amor e da paixão causa na intérprete uma melancolia evidente pela sua perda de “cor” e pelo seu murchar perante a realidade. Na realidade, a ausência de paixão e aventura causa no solitário coração humano uma letargia imensa, personificada pela paragem no tempo. Aliás, repare-se nas vezes que a Flor usa metáforas com o tempo para representar a duração – insuportável – do seu desgosto amoroso.

Porém, apesar do aspecto melancólico que o álbum parece comportar – um pouco ao estilo da Ágata, no seu auge, claro – “Floribella” termina com a demonstração máxima de independência e emancipação. “Pobre dos Ricos” é um hino para as novas gerações, uma faixa claramente inspirada no manual socialista da igualdade e da necessidade em preservar o sentimento de afeição entre o homem, sobre as vantagens do “capital”. Claramente, “Não tenho nada, mas tenho, tenho, tudo/Sou rica em sonhos/mas pobre, pobre, em ouro/Mas não importa, pois só por ter dinheiro não compro amigos, as estrelas o amor verdadeiro”! Ora, neste trecho a cantora passa a mensagem que irá guiar toda uma nova geração de portugueses no futuro: o essencial é o afecto e a necessidade em preservar a bondade perante os homens. O dinheiro é apenas um acessório nada determinante para a condução dos destinos da humanidade. O amor e a amizade é que contam.

Por isto, e por tanto mais, “Floribella” é dos mais belos e puros álbuns da história da música portuguesa. A voz de Luciana Abreu – a nossa borboleta – e as letras de Dias prendem-nos desde a primeira à última faixa. Confessamos que estávamos algo cépticos em relação a este fenómeno da cultura pop, mas depois de o escutar uma e outra vez não pudemos deixar de ficar indiferentes à sua força e magia. De facto, Luciana leva-nos para um Mundo à parte, um Mundo paralelo e alternativo, onde o sonho e a fantasia são reis. Parabéns!

A redacção do Afrontamentos atribui ao disco “Floribella”, de “Floribella e a sua banda”, cinco estrelas afrontadas!


O Terrível Mistério do nº 52 da Rua António Marinho, parte XI

Janeiro 12, 2007

Ela não ligou e continuou, no mesmo tom e num português surpreendentemente perfeito, “acha que conhecia o Miguel Ribeiro assim tão bem? Pois fique a saber que ele era um crápula, um porco. Fazia-se a todas as mulheres que conhecia, incluindo eu. Insinuava-se de modo perturbador. Depois era uma fera nos negócios. Viu o que ele fez à pobre da mulher? Traiu-a a vida toda, e depois não a deixou ficar com absolutamente nada, a não ser um pobre Seat Ibiza. Disse em tribunal que ela havia assinado um documento em que abria mão de tudo. O juiz disse-lhe que enquanto não anulasse tal documento, não lhe poderia ajudar a recuperar o que quer que fosse. Ele era do piorio! Ninguém gostava dele cá no prédio. O Carlos Miguel e a Daniela não conseguiam perdoá-lo por ter seduzido a Daniela por altura do divórcio dela; o meu marido e eu estávamos fartos das suas insinuações e brincadeiras de mau gosto. Apenas o Fred e a Sandra gostavam dele. O brasileiro porque o Miguel era um excelente companheiro de copos; a Sandra, coitada, tão ingénua acreditava que ele ia casar com ela e fazer-lhe muito feliz.”

Rome falava de tudo isto com uma naturalidade arrepiante. Contou-me os pormenores da morte do Miguel. Puseram a música muito alta, e foram todos para o sexto andar. Entretanto, Elsa já lá estava com ele. Tinha vindo discutir um pormenor do seu divórcio. Acabaram na cama. Assim que os ingleses começavam a tocar a música, ela sabia que tinha de arranjar forma de o levar para a sala. Assim foi. Bateram à porta, ele virou-se e ela esfaqueou-o, deixando-o cair. Um por um, esfaquearam e agrediram Miguel.

Em relação ao Fred, ele desconfiou logo quando chegou ao prédio e, na eventualidade de contar à polícia, o Carlos achou mais seguro dar-lhe dois tiros, com uma arma cujo cano tinha um silenciador.

A Sandra fora a casa buscar umas coisas e vira a sua porta aberta. Entrou na sala e viu-os todos a afastar o seu móvel. Por detrás estava o cofre de Miguel. Sandra estava atónita e foi ter com eles para evitar que o pudessem abrir. Ben acabou com o seu sofrimento com um tiro a curta distância. A Elsa escreveu o bilhete. Carlos levou-a até à entrada do andar de Miguel.

Isto tudo enquanto que a Daniela se confessava a mim como sendo a mulher mais infeliz do Mundo… Eles tinham-me enganado!


Teixeira, bêbedo, apanhado em flagrante pela Polícia

Janeiro 10, 2007

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O guarda-redes titular da baliza Coxeana, Alberto Miguel Teixeira, foi admoestado pelas forças da autoridade de Pevidém, na madrugada de 1 de Janeiro por se ter envolvido em conflitos com outros jovens locais. O jogador, num elevado estado de embriaguez, tentou fugir à polícia mas não conseguiu. Só a pronta acção do advogado do clube evitou que o jogador pernoitasse na cadeia local.

Eram quase quatro da manhã quando as forças da autoridade foram chamadas a Selho São Jorge para resolver desacatos entre jovens locais. Um desses jovens era o proeminente guardião Coxeano, Teixeira. O jogador encontrava-se, visivelmente, debaixo do efeito do álcool, tendo o nosso jornal apurado que o valor da taxa de alcoolemia se situava perto dos 4.15 gramas por litro de sangue.

Ao que conseguimos apurar, a razão da altercação entre Teixeira e o seu conterrâneo terá o desacordo entre os dois se o vinho que tinham bebido era verde ou maduro. Teixeira acreditava que era verde. Ao reparar na chegada da polícia, o número um Coxeano ter-se-á afastado mas, no seu debilitado estado, conseguiu chegar longe e foi apanhado.

De imediato, o Presidente dos Coxos foi contactado pelas autoridades e, desde as Ilhas Caimão, mandou o advogado do clube tratar do assunto. Segundo relatos das companheiras do Presidente que o acompanharam na viagem, Vieira terá ficado irado e maldisposto com o sucedido,  contactado imediatamente o treinador, Pedro Romano, para perceber quais as alternativas para a posição e se havia alguém no mercado que interessasse ao clube. Tendo a resposta sido negativa, Phillipe Vieira terá ordenado Rui Rocha a dar início ao processo de suspensão temporária de toda a actividade desportiva ao jogador Alberto Teixeira, enquanto que o inquérito por si ordenado não estiver concluído. Depois, um corte no salário e um pedido de desculpas público serão exigidos.

Num momento em que os Coxos Futebol Clube ameaçam tornar-se num dos maiores clubes do globo, situações destas não poderão, nem serão, toleradas pela direcção da Instituição.
Não são novos os relatos de “abusos” alcoólicos do jogador Coxeano.

Contam-se outros episódios durante jantares em Braga, em que Alberto terá, já sob o efeito do álcool, assediado algumas senhoras nos restaurantes e cometido o crime de dançar de forma obtusa em pleno espaço público.

Teixeira, um dos mais queridos jogadores do clube, poderá ter colocado tudo a perder com este acto irreflectido, estando “O Afrontado” interessado em conhecer e divulgar o desenvolvimento deste caso.


O Terrível Mistério do nº 52 da Rua António Marinho, parte X

Janeiro 10, 2007

Esta é a continuação da história que foi, até este momento, relatada aqui.

Eu não acreditei na história, mas a dor pela morte de Sandra era tão forte que senti uma tentação em aceitar a explicação daqueles dois indivíduos. Desci as escadas, entrei em casa, deitei-me no sofá da sala, abri a garrafa de whisky e comecei a beber. Adormeci.

Acordei com alguém a bater furiosamente à porta. Eram Elsa e Carlos. Abri. Começaram os dois a gritar comigo pelo facto de ter contado tudo o que vira a Daniela, assim como tudo quanto Elsa me tinha contado. Pelas suas reacções percebi imediatamente que a relação deles ia muito para além dos seguros, e fiquei com pena de Daniela… assim como tinha pena de Rome, por esta se encontrar casada com um bode. Agora que já não tinha a Sandra, tinha ideias de levar estas duas mulheres comigo para muito longe. Foi aí que reparei num pormenor de Elsa. Ela estava a usar o anel que vira na mesinha de cabeceira de Miguel. Perguntei-lhe se aquele anel não pertencia a Miguel, e ela, algo embaraçada, confirmou essa situação mas, ao mesmo tempo, garantiu que tinha ficado para ela durante o divórcio. Carlos também o garantiu. Mas isso não explicava como eu o tinha visto no dia anterior no quarto de Miguel.

Assim que eles saíram,  fui à cozinha e vi os bilhetes de Rome. Liguei-lhe. Ela já sabia do que se sucedera e aceitou vir até minha casa para um “chá das cinco”. O marido tinha saído e ela estava só. Tocou à campainha. Abri a porta, e lá estava ela, mais deslumbrante do que nunca. Vestido curto, preto, com decote a mostrar o essencial – mas não tudo – e a revelar as suas belas pernas. Apesar do tempo ser de luto, não consegui resistir ao pensamento lascivo, ao desejo. Convidei-a a entrar. Ela elogiou a minha decoração. Sentou-se na poltrona da sala. Servi o chá. Ela bebeu-o e elogiou-o. Depois, contei-lhe tudo. Que a tinha visto com a chave, que a Elsa andava com o Carlos, que a Sandra não se podia ter suicidado, do ar estranho do marido. Tudo.

E, enquanto que eu lhe contava isto, ela limitava-se a engolir o chá. Gole após gole. Quando acabei, levantou-se, pegou nas minhas chaves trancou a porta e fechou também a da sala. Sentou-se de novo. Bebeu mais um gole. Ela transpirava solenidade e graciosidade nos seus movimentos, e era tão bom olhar para ela que eu não me importava de aguardar por uma resposta.

Quando acabou o chá, virou-se para mim e começou: “O que é que você diria se soubesse que tudo o que aconteceu aqui nestes últimos dias foi uma conspiração desde o início? Uma conspiração de todo o prédio?” Respondi-lhe que diria que ela era maluca.


Começar de novo

Janeiro 10, 2007

Depois de mais de 2 anos alojados ali, decidimos por melhorar e inovar a apresentação do nosso querido Afrontamentos.

Os tempos mudam, assim como as necessidades e os objectivos a concretizar com o blog. Agora, no WordPress, desejamos conquistar o apreço de novos visitantes, sem esquecer os fiéis de antigamente.

Começa assim a nova vida do Afronta, mais polémico, insurgente e inconveniente. Mas assim tem de ser!